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O papel do tutor na educação a distância



O tutor é considerado o professor que ensina a distância. Ele se tornou um personagem recente na história da educação brasileira e foi institucionalizado não só na educação pública com a Universidade Aberta do Brasil (UAB), mas também em instituições de ensino privadas e na Educação a Distância profissional e corporativa.

Embora a tutoria ainda seja vista em alguns cursos como uma atividade que está abaixo da função docente, alguns autores a defendem a superação do termo para caracterizá-lo como o professor na Educação a Distância (EaD). O professor e autor Marcos Silva (2006) utiliza a expressão professorar, também encontrada no dicionário, com o sentido de trabalhar como professor para definir o exercício das atividades de tutoria. Podemos dizer que o tutor é professor até pela exigência de sua formação, porque para atuar nesta função é necessário ter nível superior e a experiência mínima de um ano no magistério do ensino básico ou superior, ou ter formação pós-graduada, ou estar vinculado a algum programa de pós-graduação.

Os autores Bruno e Lemgruber (2009, p.6. In: Mattar, 2011) apontam dois documentos legais para ressaltar a visão do tutor como professor:

“Parágrafo Único. Para os fins desta Portaria, entende-se que a tutoria das disciplinas ofertadas na modalidade semipresencial implica na existência de docentes qualificados em nível compatível ao previsto no projeto pedagógico do curso, com carga horária específica para os momentos presenciais e os momentos a distância” (Art. 2º da Portaria nº 4.059/2004).

“O quadro técnico e pedagógico para o funcionamento de cursos e programas a distância autorizados explicita que a função de tutoria terá que ser exercida por professores” (Deliberação CEE-RJ nº 297/ 2006).

Uma questão que sempre reforçou o rebaixamento do trabalho docente é a remuneração extremamente baixa. O tutor recebe menos ainda em comparação aos professores presenciais em uma mesma instituição. Sua remuneração se caracteriza como bolsa com duração limitada, o que não promove vínculo entre o tutor e a instituição ou a empresa. Isso acontece porque a EaD custa menos que a educação presencial, e também acredita-se que esta modalidade de ensino seja sinônimo de aprendizado por conta própria, valendo mais o conteúdo do que a mediação pedagógica.

Segundo João Mattar (2011), é possível supor que o tutor tenha sido desenhado em posição inferior na hierarquia docente na Educação a Distância, porque se concebeu um aluno com autonomia suficiente para estudar sozinho, precisando de apenas um bom conteúdo e um monitor, que lhe atende mais como um suporte do que um mediador.

Por esta razão, para Bruno e Lemgruber (2009, p.7. In: Mattar, 2011), a nomenclatura professor-tutor deveria ser reformulada. Eles consideram que o tutor a distância é também um docente, e não simplesmente um animador, ou monitor de suporte técnico, e muito menos um repassador de pacotes instrucionais. O tutor é um mediador pedagógico do processo de ensino e aprendizagem. Ele também assume a docência e deve ter plenas condições de mediar conteúdos e intervir na mensagem para promover a aprendizagem.

Fonte: Portal Educação